Prehistoria - galiciasuroeste

Title
Vaya al Contenido

Prehistoria

Arquivo 2020
Separata da Revista Brotéria
Série mensal, vol. I, fasc. I
Caminha,1925
 
Estação paleolítica de Camposancos
(Pontevedra-Espanha)   
por Joaquim Fontes
 
Durante uma curta estada em Pasaje, aldeia espanhola fronteiriça a Caminha e como esta na margem do Rio Minho, aonde tinha ido para estudar, entre outras, as gravuras rupestres do Monte de Santa Tecla, pude descobrir a estação paleolítica que serve de motivo a este trabalho.


 
Há tempos já, o jesuíta portugués Rev. P. A. da Cruz encontrou perto do Colégio, conhecido entre nós pelo Colégio de La Guardia, várias pedras de quartzite grosseiramente talhadas, que lhe pareceram ter sido utilizadas pelo Homem. Uma dessas pedras e mais outras duas encontradas pelo Rev. P. Luisier estavam guardadas no museu de ciências naturais que os jesuítas portugueses criaram no Colégio del Pasaje, onde me foram mostradas quando da minha visita a este museu. Reconheci-lhes o trabalho intencional e pareceram-me utensilios paleolíticos. Resolveu-se fazer uma pesquisa metódica dos arredores do Colégio e guiado pelo P. Luisier que dizia ter visto essas pedras talhadas num caminho que vem da pequenina povoação de Bairro de Saa à estrada de Pasaje-La Guardia, fácil me foi achar o local onde se encontram com relativa abundancia, os instrumentos paleolíticos. Aparecem na verdade neste caminho muitos utensílios, e a explicação deste caso deve-se ao facto de, na ocasião do amanho das terras que ladeiam essa azinhaga, os camponeses trazerem à superficie essas pedras com os instrumentos agricolas, e, para limparem as suas courelas de calhaus, atiram-nos para aqui quando estão perto do caminho, porque, se estão mais afastados, vão então colocá-los nos muros vedatórios das propiedades. A' superficie do terreno, poucos instrumentos encontrámos, mas neste caminho e sobre os muros, fez-se farta colheita; isto fez-nos prever que eles deviam estar enterrados no terreno. A confirmação dêste facto tivemo-la pouco depois, ao percorrer as barreiras da estrada que vai de Camposancos a La Guardia, onde na verdade encontrádos enterrados alguns instrumentos. E' primeira estação paleolítica que se conhece na Galiza[1].
 
Ali, naquele local, à margem do rio, viveu uma tribo humana durante o quaternário antigo, le da sua existência restam-nos os seus utensilios soterrados nas aluviões do Minho.
 
As nossas pesquisas foram breves, mas, apesar disso, proveitosas. E porém necessário estudar, melhor do que o pudemos fazer, este local; os arqueólogos espanhóis a quem a Sciencia e Espanha tanto devem e o jesuíta portugués e distinto arqueólogo, Rev. P. Jalhay, deverão explorar mais detidamente esta estação. Aqui fica a notícia do local, a descrição da indústria que nos foi possível recolher, bem como os problemas que ela suscita.
 
Os instrumentos da estação de Camposancos são de um talhe muitíssimo grosseiro. Feitos de calhaus rolados de quartzite e sílex que o Minho trouxe de longe e depositou nas suas margens, devem pertencer ao paleolítico antigo (chellense). São coups-de-poing (ponteagudos e circulares), discos, núcleos e grosseiros raspadores, bem patinados, de arestas um pouco gastas pelo uso e pelo tempo. Não se nota nestes instrumentos o intuito de fazer um utensilio mais ou menos elegante; em todas as peças colhidas em Camposancos, o Homem que os féz teve só a preocupação do fim a que eram destinados.
 
A-pesar de na rica estação do Casal do Monte (arredores de Lisboa) se terem colhido muitos instrumentos de tipo chellense, raros são aqueles tão grosseiramente trabalhados como os da estação galega; no entanto, notam-se grandes analogias e há mesmo peças destes dois locais absolutamente idénticas.
 
Em Espanha e Portugal teem-se encontrado outras estações de uma indústria semelhante.
En Torralba (Soria[2]) Laguna de la Janda[3] Puente Mocho[4] encontraram-se instrumentos idénticos aos de Camposancos. Breuil na bacia do Giadiana[5] e provincia de Cádiz, entre Castelar e Moraima[6], achou a mesma industria, e, nun seu trabalho refere-se a outros locais aínda inéditos onde há estações semelhantes. O mesmo arqueólogo descobriu en Portugal em Arronches, instrumentos paleolíticos cujo taIhe é idéntico ao dos utensílios de Camposancos. Ainda no nosso país, àlém da estação de Casal do Monte e suas congéneres dos arredores de Lisboa[7], temos nas Caldas da Rainha (S.to dor) , na Mealhada, arredores do Porto, Viana do Castelo e ainda em Arcos de Val-de-Vez (inéditos)[8] , estações que pertencem ao mesmo ciclo industrial. No sul da França, no Museu de Angoulême, vi também utensílios vários de quartzite e silex semelhantes ao deste tipo, e Breuil cita mais os de Dax, Bayonne e Toulouse[9].
Hoje há já dados suficientes para pensar, depois dos descobrimentos do chellense africano e sobretudo do Sahará, que esta indústria veio de Africa para a Europa pela Itália e Peninsu Ibérica, mais muito especialmente por esta, de aí a grande importancia que teem estes achados tanto no nosso país como no reino vizinho. Camposancos vem-nos demonstrar que chegou também a Galiza essa mesma fase industrial.
Descrição da indústria

  
Fig 1- Grande coup-de-poing de quartzite leito, feito de um calhau rolado. Talhe muito grosseiro, à grands eclats, em  grande extensão da face figurada; a outra, bem como a base do instrumento é a superficie rolada do calhau. A pesar do talhe ser feito só numa das faces, o artista peleolítico conseguiu obter nesta peçz, por golpes hábilmente dados, un bordo em zig-zag. Sinais de utilização nos bordos e parte superior do coup-de-poing. As arestas están um pouco apagadas pela erosão. Dimensões: 0,m12X0,m105X0,m065.
Este tipo é bastante raro nas estações portugueses. Assim no Casal do Monte, a mais rica de todas estas, entre 155 cups-de-poing, unicamente 5 apresentam essa característica -o talhe só numa das faces. Bourlon, que escavou à caverna đe Moustier, encontrou na camada oitava (acheullense) alguns coups-de-poing deste tipo. No entanto o grosseiro e as características do trabalho deste templar assim como dos utensílios colhidos em Camposancos, fazem-nos anțes admitir para ele uma maior idade (chellense).
Fig. 2- Coup-de-poing de quartzite, ponteagudo. O trabalho desta peça é mais cuidado que o da anteriormente descrita. E' feita de um calhau rolado, de que existe na base e em quási toda a outra face do instrumento a superficie natural deste. A punta partiu-se e a fractura é antiga. Bordos em ligeiro zigzag, com nítidos vestígios de utilização. Dimensões: 0,m085X0,m09X0,m037.

 
Fig. 3- Esta peça é tambem de quartzite. A base é a superficie natural do calhau, assim como grande parte da face representada na gravura Talhe grosseiro, só a punta foi mais cuidadosamente trabalhada. As reduzidas dimensões deste instrumento fazem com que os bordos, quando se faz a sua preensão, possam ser dificilmente usados e na verdade é a ponta que tem mais vestígios de utilização. Dimensões: 0,m085X0,m085X0,m04.
Fig.4- Coup-de-poing discoidal ou arredondado. Nesta gravura representa-se um tipo vulgar em Camposancos, a descrição que se vai fazer deste utensílio é a mesma que faríamos para todos os outros ali coligidos. O Homem quaternário colhia um calhau rolado, achaptado, quási circular, e num dos bordos, por golpes alternados dum lado e doutro da pedra, levantava uma série de lascas de maneira a obter um bardo em zig-zag; quando parem algum desses golpes não dava o resultado desejado, uma segunda pancada mais ligeira e dada mais perto do bordo, levantava outra lasca mais pequena e assim êste se tornava mais sinuoso. O resto do instrumento é a superfície natural do seixo rolado, o que permite uma forte preensibilidade. O bordo tem muitos vestigios de utilização. E' uma peza gresseira, mas para o fin que se tinha em vista, feita com um espírito de utilidade indiscutivel. E' um utensilio não raro nas estações portuguesas.

 
Fig. 5- E' um tipo de instrumentos que não encontramos descrito nas monografias que neste momento consultamos, mas que se nota também em 3 peças de Casal do Monte, únicas conhecidas -até hoje no nosso país (fig 6), A um calhau rolado mais ou menos em forma de leque e que se adelgaça bruscamente por duas chanfraduras Interais para a outra extremidade de maneira que de uma boa apreensão, talhou-se a extremidade superior (a mais alar gada) de um lado e outro, de modo que se obtenha um forte e cortante bordo em zig zag. Se o trabalho é grosseiro, pois que se raduz a talhar a pedra como quem aguça um pau, não se pode deixar de admirar a maneira como foi concebido este instrumento. A escolha da forma do seixo é bem feliz, pois as duas chanfraduras laterais permitem não só unha boa preensibilidade –é um forte cabo- como o alargamento brusco da outra extermidade proíbe, quando da sua utilização, que o instrumento escorregue na mão. O ter-se deixado em quase tódo o utensilio a superficie do calhau rolado, é também uma idea feliz, pois devendo servir estes instrumentos para dar fortíssimas pancadas, se se tivesse desbastado a superficie natural, a mão magoar-se hia.
Não podemos deixar de pensar, ao ver este instrumento, no machado neolítico; esta peça é o seu natural antepassado. Deveria servir como o machado, para esmagar e cortar materiais resistentes. E' de quartzite e foi muito usádo. Dimensões: 0,m13X0,m115X0,m05

Fig. 8 e 9- Nas fig. 7, 8 e 9 representam-se instrumentos idénticos, o primeiro do Casal do Monte, os outros de Camposancos. Só o bordo direito foi trabalhado como se fosse um raspador. A maior parte da face figurada e toda a posterior é a superfície arredondada e lisa do seixo. Breuil descobriu em Arronches um instrumento análogo[10].

Não queremos deixar de pôr em paralelo estas peças e as hachas de mano musterienses de Cueva Morin[11] e Castillo[12]
E’ mesmo tipo de instrumentos, só a técnica variou. Enquanto os daquelas grutas são feitos sôbrer grandes lascas intencionalmente levantadas dos núcleos, deixando-se-lhes intacta a face que tem o bulbo de percussão e trabalhando-se-lhes a outra de maneira obter-se um bordo cortante, nos grosseiros instrumentos de Camposancos onde o Homem não tinha chegado a tal progresso industrial, faz um utensílio semelhante de calhaus rolados, achatados, trabalhando só um bordo (fig. 9). Noutras peças foram dois os bordos trabalhados (fig. 8) ou mesmo três bordos (fig. 10). Êste timo tipo é curioso porque faz lembrar vagamente na sua forma um gigantesco grattoir caréét. Dimeasões: fig. 8. = 0,m105X0.m09X0,m055; fig. 9= 0,m105X0,m09X0,m04; fig. 10= 0,m087X0,m095X0,m046

Fig. 11 e 12- Raspadores de quartzite muito usados. Talhe na face figurada, a outra é lisa com o bulbo de percussão Retoque grosseiro em ambos os bordos. O da fig 11 é de bordo circular e só um deles tem retoque e sinais de utilização, no outro, não trabalhado, está a superfície natural do calhau. O da fig. 12 é triangular e ambos os bordos foram utilizados. Dimensões: fig. 11= 0,m10x0,m085X0,m045; fig-12= 0,m075X0,m06X0,m023.

Fig. 13- Disco de quartzite muito trabalhado na face figurada, a outra é a superficie de um calhao rolado muito arredondado.
Fig 14- Núcleo de silex. E' uma linda peça. O seu aparecimento faz-nos pensar numa série de instrumentos de mais reduzidas dimensões, de que não trouxemos senão o exemplar da fig. 12.

Tais são os únicos vestígios que encontramos dêsses Homens que em épocas muito recuadas habitaram a linda terra da Galiza, á beira de um rio que lhes ministrava tarta colheita de matéria prima para a confecção dos seus rudes utensílios, em face duma das mais lindas paisagens peninsulares que conhecemos.
São os mais velhos pergaminhos duma região rica em história, em arte e em belezas naturais[13].
Joaquim Fontes
Caminha, 1925

_____________________
[1] H. Obermaier. Impresiones de un viaje prehistórico por Galicia, Orense, 1923
[2] H. Breuil. La station paléolithique ancienne d’Arronches (Portalegre). O Archeologo Português, vol. XXV, 1920; H. Obermaier. El hombre fósil. Madrid, 1916
[3] E Hernández Pacheco. Las tierras negras del extremo sur de España y sus yacimientos paleolíticos. Madrid, 1915
[4] J. Cabré P. Wernert. El paleolítico inferior de Puente Mocho. Madrid, 1916.
[5] Breuil. Glanes paleolithiques anciennes dans le bassin du Guadiana. L'Anthropologie, vol. XXVIII, 1917 Breuil.
[6] Breuil.La station, paléolithique ancienne d'Arronches (Portalegre). O Arch, Port., vol. XXIV, 1920, Stations chelennes de la Province de Cadix, Institut Français d'Anthropologie, 20 de Maio de 1914
[7] Ibidem, ibidem
[8] J.Fontes. O Homem fóssil em Portugal, Lisboa, 1923.
[9] Alves Pereira. Industries lithiques sur les rives de la lagune de Obidos, Bulletin de la Société Portugaise des Sciences Naturelles, vol VII, Lisboa, 1916
[10] Station paléolithique ancienne d'Arronches. O Arch Port, etc                                      
[11] Conde de la Vega Del Sella El paleolítico ide Cueva Morin (Santander) y notas para la climatologia cuaternaria. Madrid, 1921.
[12] O Obermaier, El Hombre fósil. Madrid, 1916
[13] Os desenhos que iluatram êste trabalho sãe do Sr. Varela Aldemira, a quen aqui manifestamos o nosso recoñhecemento, excepto o mapa que é devido ao Rev. P. E. Jalhay. Todas as figuras do texto (1-14) estão reduzidas a metade do tamnho natural.







La primitiva población de Galicia
 
 
El último número del “Boletín Arqueológico” de Orense, notabilísima publicación que dirige el ilustre don Marcelo Macías y Edita la Comisión de Monumentos de aquella provincia, recoge, traducido, un estudio del catedrático de la Universidad de Lisboa doctor Fontes acerca del descubrimiento de una estación paleolítica en Camposancos (La Guardia).
 
Se trata de la primera estación paleolítica conocida en Galicia y el hallazgo tiene una importancia extraordinaria, pues, unido a los efectuados en el cerro de Santa Tecla –restos de habitaciones primitivas, utensilios y armas, cerámica, muros y caminos de una antigua citania- al de un inmenso “kiskenmondingo” o conchero, y de abundantes vestigios de arte prerromano  en una y otra orilla del Mino, viene a confirmar que en la citada comarca de nuestro país tuvo asiento una civilización que se remonta a las edades más remotas de la vida del hombre sobre la tierra.
 
Los descubrimientos hechos por el doctor Fontes –subsiguientes a los realizados por la Sociedad pro-monte Santa Tecla y por los jesuitas portugueses desterrados en Camposancos- concrétanse, por ahora, a numerosos instrumentos de cuarcita, groseramente tallados, en su mayoría hechas a mano, recogidas en el barrio de Saa, junto a la carrera del Pasaje a La Guardia y que se atribuyen al periodo chellense, análogos a los encontrados y estudiados por arqueólogos españoles y lusitanos en diferentes localidades de una y otra nación.
 
Instrumentos de una época en que al hombre preocupaba más que la belleza artística de sus obras, la utilidad inmediata que de su aplicación podía reportar, estas hachas de mano antiquísimas, son rudas y groseras y presentan señales de haber sido muy usadas. En algunas, de tipo más perfeccionado, se advierte ya la evolución hacia el hacha neolítica, de más hábil labra y más fácil y eficaz utilización.
 
El ilustrado canónigo de la Catedral de Orense, Sr. Domínguez Fontela, que viene trabajando con gran inteligencia  y entusiasmo en investigaciones de carácter histórico regional, dedica, en el mismo número del “Boletíon” a que nos referimos, cálidos elogios, que nos complacemos en subrayar  a la labor de los jesuitas portugueses y del doctor Fontes, gracias a la cual llegamos a conocer los más remotos documentos de la actividad humana en una interesantísima y bella comarca gallega.
 
A los estudios prehistóricos se concede hoy en el mundo atención muy preferente, y en Galicia no tanto como en otras regiones españolas, se labora ya con criterio y orientación científicos para incorporar al conocimiento moderno los testimonios verídicos y fidedignos de la rudimentaria actuación de aquellas gentes que iniciaron la civilización en nuestro país.
 
Los descubrimientos realizados en el distrito de la Guardia demuestran que el hombre cuaternario antiguo tuvo residencia en la comarca; y si se continúan las investigaciones, allí o en otras partes, surgirán seguramente nuevos y trascendentales hallazgos que hasta ahora solo podían sospecharse.
 
Centro Gallego órgano de la colectividad gallega en el Uruguay
Época 2ª Año VII. Nº 102 del 30 de junio de 1925







MONTE DE SANTA TECLA EN GALICIA
Memoria de excavaciones 1922-23
Por Ignacio Calvo y Sánchez[1]
 
En la historia que deberá escribirse acerca de las excavaciones arqueológicas verificadas en territorio español con aprobación de la Junta Superior de Excavaciones y Antigüedades, resaltarán como modelo de las costeadas por una Sociedad particular las verificadas por la denominada Pro-Monte, constituida en La Guardia (Pontevedra), que con tesón inquebrantable lleva nueve años, desde junio de 1914 hasta hoy setiembre de 1923, trabajando en la exploración de la citania descubierta en el Monte de Santa Tecla y de la cual se dan noticias detalladas en las Memorias publicadas, por el que suscribe la presente, en los años 1915 y 1920. El decir que resultarán estas excavaciones arqueológicas en el Monte Tecla como modelo, no se refiere precisamente al método científico empleado en ellas sino al escrupuloso cuidado de la Sociedad Pro-Monte de no mover por su cuenta un solo terrón sin obtener antes la aprobación oficial de la Junta Superior de Excavaciones y Antigüedades, detalle por desgracia bastante descuidado en excavaciones no subvencionadas por el Estado y que ha dado por fruto la pérdida de multitud de datos arqueológicos que dejaron incompleta buena parte de la historia antigua de nuestra Península...
La Sociedad Pro-Monte inició la exploración arqueológica del Monte de Santa Tecla solicitando la visita a él de un empleado facultativo que, inspeccionando el terreno, diese comienzo a las excavaciones y trazase el plan a seguir en las mismas en lo sucesivo.
La misma petición hizo en los años siguientes, y en el actual, 1923, le fué, como siempre, concedida la demanda con el nombramiento de un Delegado-Inspector, al que se le ordena en la disposición 4ª que: "redacte y entregue a la Junta Superior una Memoria referente a la inspección que se le encomienda, y efecto de la citada orden es el presente trabajo.
  
II
En el Monte de Santa Tecla resaltan tres civilizaciones distintas. Es hoy este Monte un especie de libro de cultura general en el cual hay atractivos para todos los gustos y para toda clase de modalidades de la vida humana.
En primer lugar y a la manera de esos libros que además del texto ostentan magnificas ilustraciones, tiene el Monte Tecla ese que podemos llamar aspecto gráfico, que sirve de solaz y recreo a cuantos con alma poetizadora le visitan y le recorren. En él puso la naturaleza cuantos encantos puede desear el más exquisito gusto y su suelo es tan agradecido, que cualquier labor que en él se emprenda obtiene muy larga compensación.
Además de ese aspecto que las personas dedicadas a más hondos estudios consideran como superficial, guarda este Monte verdaderas sorpresas de historia regional, que día tras día va ofreciendo a los hombres de ciencia, que unánimemente le dedican testimonios de admiración, de que son prueba inequívoca los autógrafos escritos en el álbum que en el Museo de la Sociedad Pro-Monte está destinado a este ob objeto y en el cual constan, entre otras valiosas, las afirmaciones de los arqueólogos extranjeros doctor Obermaier y doctor Leite de Vasconcelos, ambas tan expresivas y sinceras como laudatorias.
Hasta hoy los arqueólogos que visitaron este Monte se han fijado y admirado principalmente la civilización que resalta en los descubrimientos referentes a la citania, apuntando sólo algunos datos de civilizaciones anteriores a esa, que dan como seguras; mas como las exploraciones recientes han patentizado que en tiempos anteriores a la época de la citania hubo en este Monte una civilización quizá más importante que esta, se hace preciso concretar datos, afirmando la existencia de tres civilizaciones, distintas entre sí e inconfundibles la una con la otra que, científicamente consideradas, podrían denominarse respectiva mente: Prehistórica, Antigua y Moderna, mas como los límites de su duración no pueden fácilmente limitarse y queriendo dar una norma que sirva de apoyo a los interesados en este asunto, se fijará, aunque no como dato seguro, las épocas probables de las mismas, colocando la primera entre los años 2000 a 800 antes de J. C., la segunda entre el 200 antes de J. C. hasta el 300 de nuestra Era y la tercera desde 1914 en adelante. De cada una de ellas se darán detalles concretos, cumpliendo así en lo posible el fin de la encomendada inspección.
III
Civilización moderna. (Años 1914 a 1923)
En una inspección de carácter arqueológico parece inoportuno ocuparse de hechos que se realizan en la actualidad, pero como éstos están relacionados con otros exclusivamente arqueológicos, es necesario decir algo de los primeros para prevenir objeciones con apariencias de verdad.
En el año 1913 se empezó a trazar y construir la carretera que serpenteando por el empinado lado del Norte sube hasta las proximidades del llamado Pico del Facho, y en los siguientes se plantaron más de cien mil árboles de diversas especies, que hoy forman espeso bosque.


LÁMINA I. ARRIBA. Obras modernas. Vista general
ABAJO. Id. Vista parcial

En estos diez años, la que llamo civilización moderna hizo caminos y veredas para facilitar el acceso a los distintos puntos de mayor atractivo en el Monte, construyó miradores y barbacanas, encauzar las aguas de un lejano manantial para que brotasen en una artística fuente emplaza al pie de la carretera y hasta acotó trozos de terreno para cultivar flores o plantas de jardin.
No faltan exigentes que critican esta labor moderna de la Sociedad Pro-Monte y censuran que con el actual embellecimiento de alguno de sus parajes se hayan destrozado ciertas viviendas de la citania y hecho desaparecer típicos conjuntos de ellas, que daban mayor aspecto arqueológico a todo el poblado circunscrito por la muralla.
Estas censuras, que en la actualidad tienen alguna justificación, no podían prevenirse en 1913, tiempo en que todo el Monte era un yermo que, al parecer, sólo necesitaba un camino accesible para carruajes que pudieran llegar hasta la ermita de Santa Tecla, objeto de la devoción popular, y en aquel yermo de entonces, cualquier trazado de camino o de carretera no sólo no perjudicaba sino que beneficia el terreno.
Ninguno de los que ahora censuran el paso de la carretera por entre construcciones de aspecto arqueológico hubiera entonces dejado de aplaudir su trazado, y aun hoy, después de saber que a la apertura de esa vía de comunicación se debe exclusivamente el hallazgo de la citania, deberá aplaudir a la Sociedad Pro-Monte parodiando un himno de la Iglesia y diciendo: "¡Oh feliz culpa que produjo tanto bien!”
Es también preciso advertir que muchos recintos antiguos, que hoy se ven cortados, así como grandes trozos de la antigua muralla, es obra no de ahora, sino de los que durante los tiempos pasados y por espacio de algunos siglos se dedicaron a la extracción de piedras, especialmente de las labradas y puestas en obra, como se puede testificar haciendo una visita de exploración a la villa de La Guardia, a Campos-Ancos y a otros pueblos de las cercanías.
Aparte de estas consideraciones, preciso es tener en cuenta que de cada mil personas que visitan y recorren el Monte, sólo una pequeña minoría está saturada de ciencia arqueológica, y aun esta minoría, como razonable que es y sabe deducir lógicas conclusiones, encuentra más motivo para admirar lo antiguo que para motejar lo moderno. Hasta en un estudio de visitantes que para su particular interés tiene hecho el tio Antoñín se nota perfectamente la unanimidad del aplauso a las reformas actuales, en todas las que él tomó parte activa, cumpliendo las órdenes que, como guarda, le comunicó la Sociedad. Para cuando actúa de cicerone sabe que nadie le pide explicaciones de lo que él llama traballo de mouros, en cambio todos le preguntan varios pormenores acerca de las plantaciones, de las veredas, de la fuente y de los viveros; y para contestar con todo el énfasis que puede engendrar el amor propio, tiene hecha esta frase, en que cifra su mayor orgullo, como portugués al servicio de españoles: "Tudo isto fise eu."
En resumen: las censuras para las obras modernas estarían justificadas si al descubrir en el subsuelo las huellas de antiguas civilizaciones se hubieran desatendido y despreciado; pero el principal mérito de la Sociedad Pro-Monte está precisamente en que al encontrar esas huellas las han acogido con intensa veneración y comprendiendo su importancia las ponen de relieve y las engastan, por decirlo así, en un marco de actualidad que no desentona en el armónico conjunto.
  
IV
Civilización de la citania. (Años 200 a. de J. C., a 300 de nuestra Era.)
Se vuelve a repetir que la época antes señalado es tan sólo probable, ya que únicamente se apoya en que los objetos encontrados en las viviendas de la citania, especialmente monedas y cerámica, pertenecen a dicha época, siendo muy de notar que los anteriores a la civilización posthallstática se encuentran o fuera de la muralla que limita el poblado de la citania o en capas inferiores al suelo de la misma.
Sospecho con algún fundamento que la civilización celta resistió tenazmente a fines del siglo II antes de J. C. a la civilización romana, que al fin quedó victoriosa, y que los habitantes de esta región galaica, soportando una paz que necesitaba para vivir, se romanizaron, si bien conservando sus costumbres adaptadas en lo posible a las leyes de Roma; y al quedar asegurada la tranquilidad por efecto de esta imperiosa sujeción al yugo romano, se empezó a construir mucho de lo que aún existe en la citania. La moneda más antigua encontrada entre las Ruinas que se han exhumado es del tiempo de la República romana y pertenece a la familia Sempronia, y la más moderna es del emperador Gallieno. Como este detalle numismático es de suma importancia para fijar la época de la citania, se hace necesario clasificar detalladamente ambas monedas para deducir la oportuna conclusión.
La moneda más antigua es un denario de plata, cuya descripción es como sigue: Anv. PITIO.- Cabeza de la diosa Roma a la derecha con casco alado, surmontado con cabeza de águila y delante la cifra X.= Rev. L. SEMP.-ROMA.-[Lucio Sempronio, Roma.) Los dióscuros a caballo, galopando a la derecha.
Este Lucio Sempronio, de la familia de los Gracos, fué Magistrado monetario en el año 174 antes de J. C...
La moneda más moderna es un pequeño bronce del emperador Gallieno, hijo de Valeriano, que le asoció al imperio en el año 253 y el 255 le encomendó la dirección de la guerra contra los pueblos bárbaros del Occidente. La moneda aludida, es así: Anv. GALLIENVS. P. F.  AVG = Busto radiado del emperador, a la derecha.= Rev. AEQVITAS AVG =. La Equidad de pie, a la izquierda, con una balanza y un cuerno de la abundancia....
Las fechas en que se acuñaron las predichas monedas marcan próximamente las expuestas como probables para la época de la citania, y como la mayor parte de cuanto a este poblado pertenece se incluye dentro del tiempo comprendido en esas fechas, no hay razón para insistir en este punto
Veamos ahora lo que en cada ramo de cultura de esta civilización queda descubierto, y llegando al convencimiento de que media en ella el espacio de cinco siglos, se explicarán algunas modalidades y evoluciones en las obras de arte.
 
IV
Civilización de la citania. (Años 200 a. de J. C., a 300 de nuestra Era.)
Se vuelve a repetir que la época antes señalado es tan sólo probable, ya que únicamente se apoya en que los objetos encontrados en las viviendas de la citania, especialmente monedas y cerámica, pertenecen a dicha época, siendo muy de notar que los anteriores a la civilización posthallstática se encuentran o fuera de la muralla que limita el poblado de la citania o en capas inferiores al suelo de la misma.
Sospecho con algún fundamento que la civilización celta resistió tenazmente a fines del siglo II antes de J. C. a la civilización romana, que al fin quedó victoriosa, y que los habitantes de esta región galaica, soportando una paz que necesitaba para vivir, se romanizaron, si bien conservando sus costumbres adaptadas en lo posible a las leyes de Roma; y al quedar asegurada la tranquilidad por efecto de esta imperiosa sujeción al yugo romano, se empezó a construir mucho de lo que aún existe en la citania. La moneda más antigua encontrada entre las Ruinas que se han exhumado es del tiempo de la República romana y pertenece a la familia Sempronia, y la más moderna es del emperador Gallieno. Como este detalle numismático es de suma importancia para fijar la época de la citania, se hace necesario clasificar detalladamente ambas monedas para deducir la oportuna conclusión.
La moneda más antigua es un denario de plata, cuya descripción es como sigue: Anv. PITIO.- Cabeza de la diosa Roma a la derecha con casco alado, surmontado con cabeza de águila y delante la cifra X.= Rev. L. SEMP.-ROMA.-[Lucio Sempronio, Roma.) Los dióscuros a caballo, galopando a la derecha.
Este Lucio Sempronio, de la familia de los Gracos, fué Magistrado monetario en el año 174 antes de J. C...
La moneda más moderna es un pequeño bronce del emperador Gallieno, hijo de Valeriano, que le asoció al imperio en el año 253 y el 255 le encomendó la dirección de la guerra contra los pueblos bárbaros del Occidente. La moneda aludida, es así: Anv. GALLIENVS. P. F.  AVG = Busto radiado del emperador, a la derecha.= Rev. AEQVITAS AVG =. La Equidad de pie, a la izquierda, con una balanza y un cuerno de la abundancia....
Las fechas en que se acuñaron las predichas monedas marcan próximamente las expuestas como probables para la época de la citania, y como la mayor parte de cuanto a este poblado pertenece se incluye dentro del tiempo comprendido en esas fechas, no hay razón para insistir en este punto
Veamos ahora lo que en cada ramo de cultura de esta civilización queda descubierto, y llegando al convencimiento de que media en ella el espacio de cinco siglos, se explicarán algunas modalidades y evoluciones en las obras de arte.
 
Arquitectura.
En este punto se ha de rectificar la creencia expuesta en las Memorias anteriores respecto a murallas que circundan la población. Se dijo en ellas que, los muros descubiertos fuera de las viviendas parecían destinados a la contención de tierras que por su mayor altura las amenazaban y se deduce que eran obras realizadas por una población pacífica exclusivamente ocupada en sostener su vida con el producto de su trabajo y sin los afanes de una lucha, que no tenían, con gentes extrañas.
En las últimas exploraciones se ha descubierto por completo una muralla que, sin interrupción en parte alguna, circundaba el poblado: lo cual parece indicar que lejos de ser población pacífica era guerrera o, por lo menos, se pone en condiciones de defensa para contrarrestar ataques de enemigos.

LÁMINA II. ARRIBA. Muros ibéricos
ABAJO. Muros romanos

La solución de estos dos pareceres, opuestos a primera vista, aparece clara después de examinar detenidamente la construcción de la muralla en diferentes sitios; pues resulta que mientras en unos es obra sencilla y rústica, en otros es obra maestra y meditada, lo cual hace suponer que los primitivos pobladores de la citania vivieron en pacifico sosiego, ocupándose tan sólo de resguardarse de las inclemencias naturales producidas por las brusquedades del tiempo, y al adueñarse los romanos de la región y viendo lo estratégico del sitio ocupado por la citania, la fortalecieron construyendo la muralla, aprovechando para completarla varios de los muros antes construidos. En las fotografías de la lámina II, A y B (arriba), pueden verse las diferencias de construcción entre lo romano y lo indígena.
La muralla que marca el perímetro de la citania ciñe un espacio de terreno que en su mayor longitud es de 700 metros y en su mayor latitud de 150. El espesor del muro varía, siendo en algunos sitios de más de metro y medio y en otros apenas alcanza un metro. En general el asiento de las piedras del muro se hizo con barro y sólo en contados puntos se notan huellas de argamasa en que predomina la arena.

LÁMINA III. Puerta y escalera del lado Norte de la citania

Hasta hoy sólo se han descubierto en esta muralla dos puertas: una en la parte del Sur y otra en la parte del Norte. La del Sur, de la que sólo quedan cimientos, es de época muy avanzada del tiempo de los romanos, estaban construidas con piedras sillares, labradas en sus seis lados muchas, y otras cargadas en un parte que debían tener visible. De esta puerta se dio una fotografía en la Memoria de 1920 (la mina VI, arriba), hecha en el momento de llegar a ella y después de exhumar el trozo de muralla que la servía de apoyo y una escalera de piedras toscas que sin duda llegará a su entrada.
La puerta del lado Norte ha sido descubierta durante la presente inspección y exploración, y es tan típica y tan clásica que puede decir se constituye como la yema de las excavaciones arqueológicas en el Monte de Santa Tecla.
Hasta hoy la entrada en la citania se hace por grados; el coche o el automóvil paraba en sitio deleitable, con asientos, árboles y fuente; desde él se veían unas viviendas restauradas y más allá un núcleo de ruinas características. Hoy, el vehículo que va repechando la empinada carretera se detiene necesariamente al pie de una escalinata de construcción especial, que recuerda la entrada de aquellas ciudades de los tiempos heroicos que ni son suaves ni ásperas, que infunden pavor y al mismo tiempo dan alientos y que atraen y subyugan como obras de la naturaleza en las que el hombre puso la menor parte. La fotografía de esta escalera (lam. III) podrá dar exacta idea de su importancia arqueológica; puesto que dando acceso a la puerta del lado Norte, que debió ser la principal de la citania, hace ver en conjunto y sin mezclas extrañas toda una página de historia fechada hace veinte siglos.
Las jambas y el umbral de esta puerta están formados por gran des sillares labrados a escuadra, habiendo uno de dos metros de ancho por metro y medio de fondo, que ocupa ahora justamente la anchura de la puerta y que tal vez antes estuvo fijo en tierra a la salida con el fin de que la entrada en la población no se hiciera de frente, sino por la derecha o la izquierda, correspondiente a dos calles que en ambos sentidos forman el ingreso a la población antigua.
Al fin de la escalinata e inmediatamente antes del umbral de la puerta hay otra estrecha que da paso a un recinto espacioso que debió estar destinado a cuarto de guardia. La construcción de esta puerta y la de entrada a la población, tan estrechamente unidas a la escalinata y a trozos de muro de indudable factura indígena, parecen una prueba más de que los romanos, al adueñarse de esta región, no tuvieron lucha con los habitantes del Monte de Santa Tecla, sino más bien aviniéronse con ellos en determinadas condiciones, imponiéndose su dominio más como protectores que como enemigos.
La misma conclusión respecto a la conquista pacifica de la citania por los romanos se deduce del examen arquitectónico de las viviendas, muros de división y hasta del enlosado de las calles: en todas estas obras se ve la mano del indígena y el cerebro de la civilización romana.
Escultura

LÁMINA IV. De esquerda a dereita e de arriba abaixo: estela funeraria; ánforas iberorromanas; puño de espada de antenas, estela con tosca figura humana y objetos de la Edad del Bronce
 
Si la significación de la palabra esculpir se refirió exclusivamente a la obra que saca en relieve lo que el artista quiere representar, entonces las esculturas procedentes de las excavaciones en el Monte de Santa Tecla deben de concretarse a las de la época de la citania y que consisten en losas sepulcrales y en estelas funerarias, división esta última hecha en las anteriores Memorias, sin otro fundamento que distinguir las primeras, que tienen forma cuadrilátera y ostentan figuras humanas, de las segundas con forma de cipo y cuya ornamentación se reduce a figuras geométricas. Como después se ha encontrado una indudable estela funeraria con figura humana, podría afirmarse que las esculturas halladas en este yacimiento se concretan a las figuras que adornan dichas estelas y que son de dos clases: unas con figuras animadas y otras con adornos lineales. De unas y de otras hay representación en las Memorias anteriores: por tanto, en la presente sólo se expone en la lamina IV la estela con el esbozo de una figura humana y otra con el adorno de una espiral; probablemente ambas son de época distinta, aunque sería atrevido afirmar que salen fuera de la de la citania
A propósito de este género de esculturas, algún escritor extranjero, que no es precisamente el sabio y admirable Hübner, ni tampoco el insigne arqueólogo portugués Leite de Vasconcelos, toma ocasión para negar aptitudes escultóricas y artísticas a los españoles de entonces; lo cual no es otra cosa que deducir una conclusión general de una premisa particular, y en buena lógica no está admitida esa clase de argumentación. Que estas obras en piedra son bárbaras y no revelan arte alguno, cierto es y no hace falta gran esfuerzo para demostrarlo a quien las ve; pero antes de calificarlas como malas obras de arte, sería preciso probar si quienes las ejecutaron quisieron hacer una obra de arte o solamente intentaron expresar una idea o plasmar un recuerdo; y lo más probable seria esto último. Sin ir tan allá, en nuestros mismos tiempos vemos en los cementerios dos toscas astillas en forma de cruz sobre una sepultura y nadie se detiene para recriminar a quien hizo y fijó allí esa tosca cruz; quien la ve comprende lo que aquello significa y si algo más dice, es sólo una plegaria en honor del que quiere recordar ese signo de redención. Por tanto, quien labró las estelas funerarias de nuestra citania con alguna figura en relieve puede decirse de él, que no sabía esculpir, pero no que no sabía sentir.
De tan tosca factura como las estelas del Monte de Santa Tecla se han encontrado en Portugal una serie de figuras de guerreros, así como también se exhumaron ejemplares semejantes en algunas regiones de Galicia, y una figura idéntica a la última encontrada en el Tecla se halló empotrada en el muro del castillo de Siguenza. Todas pertenecen a la misma época, en que es seguro que los españoles sólo tenían tiempo disponible para demostrar dignamente su valor para la guerra y no para exhibir su alma de artistas, que en aquellos azarosos tiempos hubiera sido un lujo contraproducente para lo esencial de su vida.
Como conclusión y dando lo que es suyo a las piedras labradas que se encontraron en nuestro yacimiento, venerémoslas, no como obras de arte, sino como expresión viva del alma recia y sentimental de aquellos antepasados nuestros, que, sin dejar de ser guerreros, nos legaron la semilla para después forjar obras maestras hasta en el arte escultórico.
Metales.
A la excesiva humedad, tan frecuente en este Monte, se debe indudablemente que sean tan escasos los objetos de hierro que se encontraron en este yacimiento y que se reducen a trozos corroídos de lanza, regatones y cuchillos, todos pertenecientes a la época de la citania, de la cual se obtuvieron bastantes piezas de bronce que pudieron resistir a la humedad, como fíbulas y monedas con número suficiente para comprobar el tiempo en que fueron usadas. De las monedas ya se habló en el párrafo IV, restando sólo añadir que el mayor núcleo de ellas pertenece al principio de nuestra Era y corresponden a la España citerior, con las cecas Bilbilis, Celsa y Clunia. En la serie de fíbulas dominan las de época romana avanzada, entrando las más antiguas en el periodo III de la segunda Edad del Hierro.
Del Hércules en bronce, descrito y reproducido en la Memoria de 1920, sólo hay que decir que ya forma parte de la colección del Museo de la Sociedad Pro-Monte.
También existe en el mismo Musco el puño de una espada de antenas, que perdió toda la hoja de hierro y que por su excepción de época merece aprecio como único testigo hasta hoy de que, pasada la Edad del Bronce, el Monte de Santa Tecla no careció de habitantes.
Cerámica.
.
En la civilización de que se viene hablando abundan los ejemplares de piezas de barro cocido, aunque son escasos los tipos distintos. El más frecuente y casi único es el ánfora, de factura un tanto tosca e indudablemente indígena. En fusayolas y rodancas de barro agujereadas hay bastantes ejemplares y no tantos de pesas; sólo hay tres de estas últimas, dos trozos de vaso de los llamados saguntinos y uno que debió ser parte de una pátera griega importada durante esta civilización. Los trozos de tégulas son relativamente abundantes, pero todos hallados fuera del circuito de la muralla, los más en un montículo que domina sobre la ermita actual de Santa Tecla.
Entre los nuevos hallazgos existen cuatro marcas de alfarero, a saber: en un trozo de barro saguntino L. CRIS. En el asa de una ánfora L. HOT. En el cuello de otra, ARO, y en el borde superior de otra, F. REM. Ánforas completas hay tres, de las cuales se reproducen dos en la lám. IV (ver figura arriba). Expuestos los anteriores datos referentes a la civilización de la citania, convendría hacer una exposición etnológica que fijase en la mente de los más ajenos a filosofías históricas algún recuerdo permanente acerca de este interesante punto; mas como extenderse en tal materia suele ser expuesto a error por la inseguridad de los historiadores antiguos en sus noticias de cosas regionales, me concretaré a sentar breves afirmaciones que no salgan de la categoría de opiniones
La citania, a mi entender, no empezó su vida de golpe, sino que fue continuación de civilizaciones anteriores ya decaídas y que, efecto de las circunstancias, tomaron pujanza con la incorporación de nuevos elementos; por tanto, el antiguo celta no había desaparecido por completo. La alteración que sufre la Península en general con la llegada y conquista de los cartagineses no tuvo eficaz influencia en los habitantes del Monte de Santa Tecla y hasta pasados muchos años tampoco infirió quebranto ni causó desasosiego la conquista romana, que empezó a causar inquietud hacia mediados del siglo II antes de J. C. En tiempo de Julio Cesar oyóse en este Monte el estruendo de la guerra, siendo muy probable que el ejército romano se estableciese años después, y con carácter de permanencia, en las faldas del Monte Terroso y en los sitios llamados El Castro y Cividanes, donde se ven indudables huellas romanas y se puede señalar el paso de una vía romana
Hacia el año 27 antes de J. C. debió tener lugar la compenetración de conquistadores y conquistados, aceptando esta región las leyes romanas, que no se oponían a lo esencial de sus costumbres y de cuyo mantenimiento y concordia se ocupaba un legado jurídico bajo la dirección mediata del Gobernador de la Provincia Tarraconense, lo que duró hasta el tiempo de Caracalla, que separó como provincia aparte, Gallecia y Asturia
La ocupación principal de los habitantes del Monte de Santa Tecla debió ser la caza y la pesca, dominando esta última, a juzgar por la construcción de una vivienda con un canalillo circular en todo su suelo.
En su religión pagana, debieron seguir adorando las grandes fuerzas de la Naturaleza; sol, luna, ríos y montes; pero muy pronto debieron abrazar la religión cristiana, lo que se deduce por el título dado a este Monte, pues Santa Tecla fue convertida y adoctrinada por el Apóstol San Pablo, siendo uno de los bellos ornamentos del siglo de los Apóstoles. La conversión tuvo lugar en el año 45. Dicen sus historiadores que acompañó al Apóstol en algunos de sus viajes, y aunque sólo tenga el apoyo de la tradición, se afirma que San Pablo visitó España. Es histórico que Santa Tecla pasó los últimos años de su larga vida en un monte haciendo vida solitaria, como también que murió en Isaura y fue enterrada en Seleucia. A pesar de mis indagaciones, no pude hallar la razón del porque a este Monte se le llama de Santa Tecla, aunque presumo con algún fundamento que antes que la citania fuera una ruina ya en ella hubo devotos de tan esclarecida Santa.
 
V
(Años 2000 a 800 ante de J. C.?)
El dato cronológico de esta civilización en el Monte de Santa Tecla se fija únicamente como orientación para un cálculo probable de la antigüedad a que pueden remontarse los hechos y noticias que a continuación se exponen:
Hasta hoy y en los trabajos arqueológicos relativos a este Monte, tan solo de un modo somero se habló de esta civilización, debido, sin duda, a falta de elementos precisos en que apoyar ciertas afirmaciones. Al aparecer éstos en la última exploración y estudiados con el debido reposo, es necesario sentar una consecuencia, que aunque parezca atrevida no por eso deja de ser una realidad probada, a saber: En el Monte de Santa Tecla existió en la Edad del Bronce una civilización que superó en importancia a la de la Edad del Hierro. No se puede negar que la que podemos llamar corteza arqueológica del Monte es en su mayor parte prerromana y romana, con la época ya fijada; pero es también cierto que en todos los sitios en que aparecen testimonios de estas dos épocas se descubren huellas patentes de la Edad del Bronce; por esto nada tiene de extraño que se insista en este punto, de grande interés para la Arqueología española, y más en especial para este yacimiento, que ya tiene un fondo tan digno de su nombradía.
Siendo indudable la existencia de civilización en la Edad del Bronce, queda por resolver si ésta pertenece al periodo inicial de la misma o a los siguientes, hasta su enlace con la Edad del Hierro. Cuestión es ésta bastante oscura y en la que los más eminentes arqueólogos andan perplejos. Montellius establece seis periodos para la Edad del Bronce en el Norte de Europa y otros sabios rebajan este número para los países europeos correspondientes a las naciones de Inglaterra, Alemania, Hungría, Italia y Francia.
En lo que respecta a España en general, nada hay resuelto y sólo se conoce bien la llamada cultura argárica, merced a los trabajos de los hermanos Siret (1).
El distinguido arqueólogo D. Pedro Bosch Gimpera afirma que en este punto existe una laguna, y aunque reconoce la antes mencionada cultura argárica, resume las noticias que tiene acerca de la Edad de Bronce en España en estas palabras (2): "De la plena Edad del Bronce no se conoce ninguna estación, hasta el punto de que legítimamente podría creerse que no ha existido en la península, si no viniera a afirmarlo de una manera rotunda la presencia de relativamente numerosos hallazgos sueltos. Se ha hablado de algunas sepulturas, pero no son seguras. Hay un importante núcleo de hallazgos de bronce en el Este de Andalucía, en las provincias de Granada, Jaén y en parte de Almería.
Otro núcleo parece existir en otra región minera: Asturias con Galicia."
  
Esta suave aquiescencia del señor Bosch Gimpera a la existencia de un núcleo de civilización de la Edad del Bronce en Galicia la robustece el doctor Hugo Obermaier con las siguientes afirmaciones (3): "Lo que ha llamado poderosamente nuestra atención durante nuestro viaje es el hecho de que existe en Galicia una abundancia extraordinaria de hallazgos de bronces, aunque de cierta monotonía, abundando mucho diversos tipos de hachas, escaseando ya las puntas de flecha y de lanza, los puntales y espadas, y faltan por completar las fíbulas y los objetos de adorno, con excepción de algunos brazaletes. Se destaca claramente un periodo inicial, que no es más que la evolución natural del eneolítico. Sus hachas son planas y tienen forma trapezoidal; su cuerpo es, de ordinario, ancho y presenta los bordes casi paralelos, siendo el filo semicircular. Es la continuación del modelo de las primitivas hachas de cobre y de las últimas de piedra."
Confirmado en esta forma y por el citado doctor la existencia del primer periodo de la Edad de Bronce en Galicia, sigue diciendo respecto a los siguientes: "A la fase inicial con hachas de bronce pobre, sigue en Galicia un conjunto arqueológico que representa ya francamente los tipos evolucionados de la segunda mitad de la Edad del Bronce, según la clasificación cronológica aceptada por los especialistas para la Europa occidental (4)."
Citas textuales como las precedentes deberían abundar en la presente Memoria en cuanto se refiere a la civilización de que se viene hablando, pero a fin de evitar la repetición de ellas, expreso mi constante adhesión a las teorías expuestas por el sabio arqueólogo por reconocer en él, no sólo profundidad sino ecuanimidad del juicio.







LÁMINA V. Arriba: oratorio al aire libre de la Edad del Bronce, con el mapa de la región y varias insculturas.
Abajo: Id. copia en dibujo a pluma:


DETALLES DESCRIPTIVOS
A. A. = Rio Miño.
B. B. = Monte de Santa Tecla. C. C. = Antiguo brazo del Miño.
D.E.= El cielo?
E. E. = Escotaduras de época posterior.
F. F. Muro de época romana.
H. H.=Insculturas.
Con esta salvedad y ya por cuenta propia opino que los primeros habitantes del Monte de Santa Tecla coinciden con la época eneolítica, y no antes, tal vez por impedir la subida a él una corriente de agua de considerable extensión, que ocupan los terrenos de las actuales parroquias de San Miguel, Salcidos y partes bajas de la villa La Guardia, desahogarse en el Océano. Esta corriente está marcada en el que creo mapa esculpido en una roca nativa del Monte, del que se hablará luego, y cuya representación puede verse en la lám. V. Las hachas y otros instrumentos de piedra, del mismo modo que los trozos de cerámica de tipo neolítico, sólo deben considerarse como supervivencias de épocas anteriores, que coexistieron con las primeras manifestaciones de la cultura inicial del Bronce. De esta cultura inicial de la época del Bronce, así como de su sincronismo con la de las llamadas insculturas, existe la prueba más patente en nuestro yacimiento, y cuya fotografia dióse en la lám. V de la Memoria del 1920, y en el texto de la misma se habla de que en un peñasco que linda con el Kjokkenmodingo coexistia con las llamadas insculturas y cazoletas un molde perfecto de un hacha de bronce; de lo que resulta patente que la misma mano que labró o esculpió las líneas que semejan piernas humanas y las cazoletas, labró también el molde del hacha, que es sencilla, de pequeño tamaño y en todo como el tipo de las del primer período de la Edad de Bronce. Desgraciadamente, la piedra a que se alude se ha dejado a la intemperie durante dos años y medio y en mi última visita la encontré bastante desfigurada, aunque no tanto que su examen pueda desmentir la afirmación aquí consignada.
 
Arte rupestre en el Monte de Santa Tecla.
El doctor Obermaier, en el trabajo ya citado, pág. 18, dice: "También Galicia posee su arte rupestre, muy característico y de sumo interés arqueológico. No lo componen representaciones en el interior de cavernas, ni pinturas rojas en covachas o abrigos, sino que se trata de grabados en superficies graníticas, al aire libre y conocidos bajo la denominación de insculturas. Adornan, por lo general, lajas bajas, de superficie horizontal o en ligero declive, siendo raros los grabados en paredes verticales."
A tal afirmación se debe añadir en esta Memoria que los numerosos ejemplares de arte rupestre encontrados en nuestro Monte constituyen la clave para deslindar y aun para descifrar ciertos problemas oscuros de la Edad del Bronce en el Noroeste de España.
En primer lugar puede hacerse la afirmación de que el Kjokkenmodingo, de que se dio cuenta detallada en la Memoria de 1920, no pertenece a la Edad de la Piedra, como los de Escandinavia, de que habla Montellius, y otros hallados en diversas naciones de Europa, sino que existió durante la primera época de la Edad del Bronce, pues no se halló en él objeto alguno neolítico, ni en piedra ni en barro cocido; en cambio aparecieron objetos de cobre y de bronce en la parte explorada, y aunque resta otra porción por explorar, es de suponer no se hallarán en ella contradicciones a lo dicho.
El suelo nativo sobre el que descansan los restos de Kjokkenmodingo sigue el nivel de la superficie del peñasco, en el que se grabaron las insculturas entre las cuales está el molde de hacha primitiva de bronce, y sobre ese suelo nativo y sobre el peñasco dicho se construyó la porción de muralla de época prerromana y romana de que ya se habló; por tanto, ni las insculturas de ese peñasco ni el Kjokkenmodingo colindante pueden ser de época anterior al periodo eneolítico ni posteriores a la segunda época del Bronce.
A esta civilización de la Edad del Bronce pertenece el último y más trascendental hallazgo, obtenido en la actual inspección, a saber: un mapa que tal vez sea el más antiguo del mundo y de cierto el más antiguo de una región de nuestra España. Fue tan enorme la impresión que me causó el descubrimiento de esta inscultura, que suponiendo fuera una aberración de la vista, a nadie quise comunicar por de pronto el hallazgo, concentrándose en el resto del día en que le descubrí a estudiarle en secreto en toda ocasión en que podía apartarme a solas de los Socios que me acompañaban y de los jornaleros. Convencido al fin de que lo que veía grabado en el peñasco no era ilusión, pasé la noche en continuo desvelo, deseando amaneciera para poder descargar de mi alma el peso que la oprimía, y al efecto, subiendo temprano al Monte acompañado de uno de los señores Socios, que es hábil dibujante, le rogué se colocase en un sitio a propósito, pidiéndole dibujar con los trazos más sencillos que pudiera lo que más impresiona a la vista desde allí, que era el rio Miño, con sus isletas antes de subir la marea, y el Monte de Santa Tecla, en cuyo lado oriental y a media altura estábamos. Terminado el dibujo requerido, con arreglo a la posición ocupada del río respecto del Monte, conduje al señor Nandín (este es el Socio de Pro-Monte que hízome el favor) hasta el peñasco de la escultura extraordinaria, y le dije: "Mire usted la exacta coincidencia del gráfico que acaba de dibujar con el grabado existente a nuestros pies y que se hizo por algún antepasado nuestro hace próximamente 4000 años." La sorpresa del señor Nandín fué tan grande como la mía del día anterior, y para dar más realidad al dibujo pintó el sol en la parte de arriba y al pico del Monte le agregó la cruz que actualmente se eleva sobre el Facho, con lo cual mostróse el dibujo de conjunto a los visitantes que fueron llegando al Monte y todos con pasmosa unanimidad dijeron que aquello era la representación gráfica del territorio del Tecla. Esta prueba tan incontestable alejó de mi toda idea de aberración visual y aun la remota de excesivo cariño a la fecundidad arqueológica de este yacimiento, atreviéndome entonces a divulgar el notable hallazgo, dando noticia oficial de él, con su reproducción fotográfica en esta Memoria, a fin de que se discuta, si cabe la discusión, y se aclare en definitiva el hecho, tantas veces negado, de que nuestros antepasados tenían en su mente, aunque sólo en embrión, los elementos más esenciales del arte que, andando los siglos, tanto brilló y tantos éxitos obtuvo.
 
La descripción detallada del que llamo mapa de la zona del Monte de Santa Tecla es casi innecesaria teniendo a la vista no sólo la fotografía de la escultura sino el dibujo, sacado con la posible exactitud de la misma presentados en la lám. V, A y B, donde por medio de letras se marca el curso del rio Miño, con las isletas que en él se forman durante la baja marea antes de su desembocadura en el Océano; el empinado y aislado Monte, con una representación del firmamento en la parte su periodo, y por último, en la parte opuesta al rio Miño se ve una línea con un extremo curvado, que al principio era una incógnita, y que pronto quedó aclarada al saber por boca de viejos pescadores la existencia en época contemporánea de un brazo del río que como antes se dijo, corría por terrenos de San Miguel, Salcidos y La Guardia, hasta el mar.
Terminados los trabajos de la inspección y al preguntar el señor Obermaier por el resultado de los mismos y decirle lo del mapa del Tecla, lejos de extrañarse mostró alegría, por ver confirmadas las opiniones que emitió en sus conferencias de Prehistoria en la Universidad de Santiago, de las que forma parte el siguiente párrafo, dedicado a ex poner una división de las insculturas: "Por último, queda un número de localidades con conjuntos de figuras complicadísimas, que se componen de combinaciones y agrupaciones extraordinarias de rayas, círculos, cazoletas, etc., que dan la impresión de un fantástico mapa-mundi. Se parecen por su forma a veces a dibujos pueriles de plantas de casas o de fortificaciones, con sus parapetos, fosas y salidas o a mapas primitivos de catastro."
En el mismo peñasco nativo en el que se ve esculpido el mapa antes dicho existe un núcleo de figuras en forma de espiral, cuya interpretación está expuesta a error, y por tanto sólo conviene publicar la noticia de su existencia, pero teniendo en cuenta la orientación del sitio en que están, su inmediata proximidad al mapa antes descrito y la gran extensión que ocupan, no es una aberración el opinar que este lugar fué un oratorio sagrado, en donde se reunían los habitantes del Monte para dar culto a las grandes fuerzas de la naturaleza que más impresionaban sus almas, como el rio, el monte, el sol, la luna y las estrellas. De este género de oratorios sagrados existen tres en la parte del Monte que mira al Oriente; en cambio en ninguno de los tres restantes puntos cardinales se ven esta clase de insculturas, lo cual es un dato que conviene tener en cuenta para futuras investigaciones.
 
Objetos de metal y de barro cocido de la Edad del Bronce.

Las noticias anteriormente expuestas acerca del arte rupestre, tan abundante en el Monte de Santa Tecla, alientan para reformar la opinión de que aquí hubo una potente civilización durante la Edad del Bronce, y aun para asegurar que en toda Galicia y parte de Portugal existió en este tiempo un núcleo de cultura que puede resistir decorosamente la comparación con la de otros países europeos.
Este núcleo cultural del Occidente de España, unido al conocido de la parte Sur de la Península, quizá explique más que ciertas teorías que el origen y marcha de nuestra civilización trae el mismo recorrido que el sol, utilizando caminos accesibles a los hombres de aquellos tiempos; todo lo cual se concierta bastante bien con las afirmaciones de la Santa Biblia respecto al origen y desarrollo de la especie humana.
Las opiniones emitidas hasta hoy en lo que respecta a la Edad del Bronce en la Península Ibérica resultan tímidas, tal vez por falta de datos arqueológicos en que apoyarse: por esto conviene hacer resaltar los que existen y hacer afirmaciones que aunque parezcan atrevidas ahora, quizás en tiempos venideros se colocarán en el campo de verdades comprobadas.
Los yacimientos arqueológicos explorados con tanto éxito por los hermanos Siret en el Sudeste de España, confirman una potente cultura en el periodo inicial de la Edad del Bronce. El señor Obermaier dice que "se destaca claramente este periodo inicial en Galicia". En el Monte de Santa Tecla y a pesar de la posterior civilización que se sobrepuso se han encontrado nada menos que seis hojas de espada y de puñal y una hoz de bronce, que repasan la época del periodo inicial, y recientemente en el Puerto de Huelva se extrajeron en un dragado ochenta y siete espuelas, un casco y varias fíbulas del último periodo de la Edad del Bronce; por consiguiente y sin contar con la casi seguridad de futuros hallazgos de esta época en Portugal y en España, no creo será atrevido concluir diciendo que durante toda la Edad del Bronce existió en la mayor parte de las costas de la Península Ibérica una civilización tan digna de estudio por lo menos como la que se refiere al Norte y Centro de Europa. Que en esta Península existían en explotación varios veneros de cobre y de estaño está probado hasta la convicción absoluta y no es preciso multiplicar textos que lo prueban; por tanto, si había materia prima y se han encontrado obras de esta materia y de aquel tiempo, no hay razón para tener en suspenso una proposición cierta por falta de detalles que la confirmen en pleno.
Admitida la existencia de la civilización ibérica de la Edad del Bronce se puede opinar con algún fundamento que muchos de los vasos de barro cocido encontrados en España y atribuidos a la época neolítica y eneolítica pertenecen a la época inicial de esa Edad, y como consecuencia de esta opinión deduzco que casi todos los restos de esos vasos hechos sin torno y sin horno que se hallaron en el Monte de Santa Tecla, pertenecen a la citada Edad.
Como resumen de lo expuesto en la presente Memoria y sintetizando las conclusiones de esta última inspección y exploración, se debe concluir diciendo que en este Monte existen hoy (octubre de 1923) tres civilizaciones perfectamente distintas: la moderna con sus carreteras, caminos, glorietas y jardines; la ibérica-romana con su citania, puertas, muralla y utensilios para su vida, y la prehistoria, con sus oratorios al aire libre, sus Kiokenmodingos, insculturas, armas y barros cocidos.
______________
(1) Err. y Luis Siret: Las primeras edades del metal en el Sudeste de España. Barcelona, 1890.
(2) La Arqueologia prerromana hispánica. Barcelona, 1920
(3) Impresiones de un viaje prehistórico por Galicia. Orense, 1923: pág. 2
(4) Obermaier, loc. cit, pág. 25











Boletín de la Real Academia Gallega
Año XI Coruña 1º de Abril de 1916 Número 104
 
 
Una visita al Santa Tecla
por Celestino García Romero
 
 
En la orilla derecha del Miño, en su desembocadura misma, se levanta un monte que la separa de la antigua villa de La Guardia, en la provincia de Pontevedra, como todos saben. Para subir a sus cumbres, donde se ve una capilla de Santa Tecla, que da nombre al monte, conocida ya históricamente desde el siglo XI, según de documentos antiguos se desprende, y de cuyo culto, notabilísimo por varios conceptos, habló ya en este BOLETİN nuestro caro director, se está construyendo una carretera por la Sociedad para esto constituida en La Guardia en 1912. Al abrirla se hallaron restos de objetos antiguos, de los cuales nada hemos dicho a nuestros lectores, a pesar de que deben interesarles, como es justo, por tratarse de cosas de muestra tierra de que estamos obligados a informarlos. Y pues se lo debemos, quiero yo pagar esta deuda, pues con ocasión de esta: el verano pasado en el colegio que en Camposancos, al pié mismo del Santa Tecla, tienen los PP. de la Compañía, tuve ocasión de visitar estos lugares y examinar los objetos en ellos encontrados. Antes han hablado ya de este asunto, que sepamos, D. Ignacio Calvo y D. Juan Domínguez, sacerdote el primero, afecto al Cuerpo de Archiveros, y encargado el segundo de la parroquia de San Francisco de Vigo. Habló aquel en la Revista de Archivos, y éste en una serie de artículos dados a luz en La Voz del Tecla, que se publica en La Guardia, y son ambos trabajos dignos de estimación y aprecio para el conocimiento de aquellas cosas.
 
¿Y qué hay? ¿Qué fue, pues, lo que se encontró allí? Ahora voy a decírselo a mis lectores. Si queréis daros el grato solaz de visitar la antigua capilla de Santa Tecla y gozar las hermosas perspectivas que de allá se descubren, subid la carretera que se está construyendo, y después de recorrer más de la mitad de su altura, hallaréis al lado del camino, al doblar una de sus numerosas vueltas, los restos de paredes que formaban varias casitas, cortadas al construir la carretera, que dieron noticia del hallazgo. Si después de pararos y examinarlas, seguís vuestra excursión, llegaréis a un repecho del monte donde mana una fuente recientemente allí traída, y al pie de ella, un pequeño jardín, y en sus inmediaciones numerosas paredes análogas a las que habéis visto ya, pero que no están cortadas por camino ni obra alguna, sino que forman varias pequeñas casas redondas, que se hallan, puede decirse, en el mismo estado en que las dejaron sus constructores. ¿Cómo puede ser esto, dirán mis lectores, después de tanto tiempo, según se dice, y en un sitio conocido y frecuentado? Pues sucedió porque las casas y sus paredes estaban llenas y cubiertas enteramente de tierra; sólo se distinguían, como se advierte, las que allí aún hoy se ven en el estado que las demás tenían, por las piedras más altas de sus paredes que están al nivel del suelo. Si esto no fuera hubieran desaparecido hace ya muchos años: el tiempo y los muchachos se hubieran encargado de ello.
 
Una de las que allí hay tiene de diámetro 3'60 X 2 50 metros; de alto mide su muro un metro y poco más en partes. En otra se ve una puerta (1), pues su losa inferior está al nivel del suelo, que mide oʻ60 Xoʻ40, de suerte que con dificultad cabe por ella una persona a gatas, y están formados cada uno de sus lados de una sola losa con sus quicios abajo y arriba y sus batientes en la jamba correspondiente y en el dintel, y parece que no debía ser de hierro el quicial, pues el agujero en que encajaba es bastante ensanchado. Los diámetros de esta casa tienen 4'10 X 4’20 y es de notar en ella una losa que debió ser hogar o la base de un horno, pues en ella se ven señales manifiestas de haberse hecho fuego allí, y está embebida en la pared y casi fuera de la casa, metida en la tierra que la rodea. Otra casita, un poco más arriba, tiene 4'30 X 4'45 y adosada a ella otra cuadrada de 2 X 4’75, en la cual se ve también la piedra del hogar, o sea, una en la cual aparecen señales indudables de haberse hecho fuego sobre ella, pero como no está como la anterior, metida bajo tierra, no tiene como ella aspecto de horno. Hay allí otras varias, desembarazadas ya de la tierra que las cubría y rodeaba, como hemos dicho, y las conservó hasta hoy, y otras cubiertas todavía y rodeadas de tierra por todas partes, si no es en la superior de sus paredes, cuyas piedras al nivel del suelo denuncian la existencia de las que yacen aún enterradas.
Por las dimensiones que he dado de varias ya se ve que, aunque se dicen redondas, no lo son tanto que puedan apellidarse circulares. Pudiera preguntarse el porqué de esta forma y yo sólo podré decir a mis lectores que no sé que tiene esta figura con las edificaciones infantiles, - pero es un hecho que las obras de los pueblos primitivos (2) la adoptan preferentemente y lo mismo hacen los niños en sus construcciones. ¿Quién no vio a estos hacer una casa mientras guardan sus ganados? ¿Y no los vio hacerla también redonda? Porque eso no lo sabré decir, pero el hecho público y notorio es: angulares, por excepción, resultará una edificación infantil.
La altura de estas paredes oscila entre un metro y uno y medio (3), y su espesor entre 30 y 40 centímetros. Están hechas de lo que llamamos mampostería, de piedras más bien pequeñas, como verán mis lectores por la fotografía adjunta, y no es pared seca como en los muros de los cercados, sino con tierra, no con barro, en su centro y a juzgar por lo bien que se adapta a las piedras, se conoce que la habían amasado con agua cuando la echaron en el centro de la pared. Estas están tan perfectamente acabadas, tienen tan bien tomadas sus menores rendijas, que no queda sin forra, como dicen, ni el más pequeño intersticio. No la haría mejor, hoy mismo, ninguno de nuestros mejores canteros (4). Parece que están acabadas de hacer. Y fue cosa que llamó grandemente mi atención. Comúnmente no son las paredes verticales sino inclinadas hacia dentro y su escaso espesor demuestra con claridad que no pudo ser grande su altura, lo cual indica que debía ser muy aguda su techumbre de paja o ramas, pues de otra manera apenas podría estar un hombre en pie dentro de esas casas.
¿Y de dónde nos consta que son las obras antiguas? Por lo bien hechas, más bien se podrían decir recientes, pero que no lo son se conoce por los objetos hallados en su interior. Entre estos llaman ante todo la atención, los molinos de mano de factura evidentemente antigua, bien conocidos de todos, y se hallaron en tal abundancia que, a parte de los traídos al Museo que se está formando en La Guardia, en la casa de Don Manuel Lomba, presidente de la Sociedad, hay de adorno en la fuente mencionada, cerca de una docena, y creo que no son tantas las casas que están a la vista, lo cual nos prueba que no faltaba en ninguna y que los cereales formaban una gran parte de la alimentación de aquellos hombres, y como no se producían en el monte, resulta que estaba ya entonces poblado y cultivado el valle y de allí subían los frutos, pues si al monte llevaran el pan, para nada querrían tantos molinos. Y hay también allí una piedra para triturar grano análoga, aunque más pequeña y basta, a las que hoy se usan para moler el cacao del chocolate que parece la manera más elemental de triturar el grano, y que pudiera, por lo tanto, autorizarnos para remontar la población que habitó aquellas pequeñas casas a muy antiguos tiempos.
 

Pared de mampostería
Con los molinos se hallaron también numerosos trozos de ánforas romanas evidentes que no usan, como es claro, hace ya muchos siglos, los moradores de aquellos contornos, y las usaban los que vivieron en las casas referidas de Santa Tecla como sus restos demuestran. Y ellas nos dan una indicación, según pienso, para confirmar lo que dijimos poco ha de la antigüedad de esos pobladores, y es, que hasta ahora no se había hallado en ninguno de aquellos numerosos barros señal alguna de marca de fábrica, ni letra de ninguna especie, lo cual parece dar a entender que pertenecen a los más antiguos tiempos de la fabricación romana, en las cuales, como eran pocos los fabricantes y poca la producción de esta mercancía, no era preciso poner marca alguna que designase al fabricante y acreditase la mercancía, como lo fue más tarde cuando aumentó la producción y el consumo. Hasta ahora, que yo sepa, no hay con letras más trozos que los hallados por el P. Arroyo, que subió conmigo al monte, en uno de los cuales se ve una R y en otro restos de una P, hechas ambas con un palito cuando aún estaba blando el barro. Ambos se depositaron en el Museo de la Guardia. No digo que sean éstas, pruebas evidentes de remotísima antigüedad, pero sí que algo de eso parece indicar.
Al lado de los citados trozos, son también de notar otros barros, de alguno de los cuales damos muestra en la fotografía segunda de este trabajo, y a los que designa el Sr. Calvo en el escrito que hemos referido ya, con el nombre de “restos de vasos ibéricos”, y por tales los podemos también tener nosotros como juicio de persona tan calificada, y son como cualquiera ve, barros muy antiguos. Unos como los números 9, 10 y 11, presentan diversos dibujos escavados a mano en el barro blando todavía, los cuales no carecen de cierta belleza. Los 12 y 13 tienen sus dibujos hechos con un molde cuando el objeto no se había endurecido aún, y ello da a entender, sin duda alguna, que era más abundante la fabricación, y más solicitado y de más consumo el producto, pues se valía el que los hizo de esos medios mecánicos, que facilitaban la mano de obra y la hacían más perfecta y agradable. La pequeñez de los trozos, no permiten asegurar a que objetos pertenecieron, pero de su antigüedad no hay duda.
En los objetos de metal, llaman justamente la atención, unas pinzas de bronce, que tienen de largo 10 centímetros, y cuyo destino yo no puedo precisar, y sobre todo la colección de fíbulas, notabilísimas todas, por lo hermoso y acabado de su labor. Las números 2, 4 y 8 están, como ven mis lectores, enteras y perfectas, no les falta más que la correa que ataban. La número 8, sobre todo, como se ve algo en el dibujo, es de una perfección y hermosura por todo extremo notable, y especialmente sus puntas o extremos que aparecen levantados y cubiertos de puntas o esferitas pequeñísimas, y toda ella cubierta de un baño o barniz que parece cristal, que no se me figura obra del tiempo, pues si lo fuera, se hallaría también en los demás objetos sepultados en la misma tierra del monte en que ella estuvo. Los números 5 y 7, son enteramente iguales: la diferencia que entre ellos se advierte, nace del modo con que los hirió la luz al tomar la fotografía: a las dos les falta el pasador. Todas ellas demuestran que las personas que allá las dejaron, no carecen de medios, pues son ciertamente objetos que se hicieron para el uso de personas ricas; los pobres no necesitaban ni en aquellos tiempos ni en estos tan preciosas hebillas para sujetar sus vestidos.


Objeto de ricos también es el número 1, hecho de una chapa de metal (la parte contigua a ese clavo del centro, que es del objeto, no alfiler que lo sostenga, me pareció plata), rellenada de una sustancia caliza que recuerda la masilla de los cristales y lleva en su centro otro trozo de metal para dar solidez al objeto, pues sus chapas son delgadas. No se ve a que fin pudo estar destinado. A mí se me ocurre si formaría como el puño de un insigne autoritatis, de un cetro, de un bastón de mando, al cual se uniría por el clavo que tiene y sería análogo al que daban nuestros gobernantes a los indios de Filipinas que nombraban gobernadores de algún pueblo. Me dicen que en alguna de las citanias portuguesas se hallaron semejantes.
En aquellas ruinas se encontró, asimismo, la moneda cuya imagen se ve en el fotograbado, si bien muy disminuido su tamaño, como el de todos los demás objetos. Sus diámetros, que no son iguales, como no suelen ser en las de aquellos tiempos, oscilan entre 27 y 31 milímetros, y de estas dimensiones pueden mis lectores deducir las que tienen todos los demás objetos que la acompañan. En el anverso se ve la característica cara de Tiberio mirando a la derecha del que la contempla, y al rededor, claras, estas letras DIVI AVGUSTI F IMP CAE. El nombre de Tiberio está, sin duda, tapado con los óxidos metálicos que en parte la cubren. En el reverso hay un objeto que no se puede, por la misma causa, precisar si es caballo, buey o bueyes, pero algo de esto es, y por lo que después diremos, se deduce que es un toro, y sobre él estas letras claras, ESPARZo, y debajo se lee VRNINo. A la derecha, debajo de la cabeza del toro, VIR. En VRNINo bien se entiende que algunas letras están cubiertas con el cardenillo de la moneda, y así es en efecto, pues Urnino no se halla entre los apellidos latinos, y leyendo el catálogo que trae el P. Flórez en el tomo II de sus Monedas de las Colonias, Municipios y Pueblos de España, tampoco se ve magistrado alguno de ese nombre, pero se halla un Lucio Saturnino, precisamente con Lucio Fulvio Sparso, en una moneda de Tiberio (5) perteneciente a Calahorra Calagurris, y a este antiguo municipio romano de nuestra tierra pertenece, por lo tanto, la encontrada ahora entre las ruinas de Santa Tecla, la cual guardan en su Museo los iniciadores de estos trabajos, y ella demuestra que por allí pasó el que llevaba en su bolsillo una moneda del siglo I de nuestra Era en que se acuñaron las monedas de Tiberio, lo cual, como es claro, no acontecería mucho tiempo después. Esto nos da motivo para decir que estaban aquellas casas habitadas en aquellos antiguos tiempos y en aquel primer siglo (6). Como en las monedas de Calagurris se ve frecuentemente en su reverso un toro y nunca caballo ni bueyes (7), por eso dijimos antes que no era nada de esto lo que no se podía con toda claridad distinguir en la hallada en Santa Tecla, sin privarla de la pátina y óxidos que en parte la cubren, cosa que no quisimos hacer, sino un toro como en las demás. En una cosa se separa de la que publicó el P. Flórez, y es, en que la de él escribe SPARSO y la hallada ahora ESPARSo. Dudé si la inicial estaría mal leída por no estar bien descubierta, como hemos dicho, y en vez de E fuese una F (8). Aunque así sucediese sería diferente de la del P. Flórez, pues la de él escribe L•FLV•SPARSO, con punto antes de la S, cosa que no hay en ésta, y más atrás la sigla LV, de que no hay trazas en ésta, que tiene integra la E sola, lo cual demuestra que no pueden confundirse en modo alguno ésta y aquélla, la que él leyó, y la encontrada ahora. Pensé si esa E inicial, tan ajena a los cánones de la lengua y ortografía latinas, sería enorme yerro no parece tolerable en un Magister inscriptionum, y aunque en la misma Roma se ven equivocaciones y faltas no menores, éstas son tolerables en una piedra, pero la señalada parece demasiado grande en una moneda. No me atrevo, con todo, a afirmarlo, pues quizá no estaba aún, cuando se escribió, tan fijada la ortografía de esta palabra.
También tienen en el mencionado Museo dos lápidas sepulcrales traídas del Santa Tecla, al parecer de niños, por lo pequeñas: ambas ostentan una figura con túnica, y de dibujo y factura tan elemental, que no desdicen de los habitantes de aquellas pequeñas viviendas. Una me pareció, evidentemente, de las mismas losas del monte; la otra se mee figura de un grano más fino y traída, por lo tanto, de otro sitio, pero no podría asegurarlo, pues no conozco bastante los diversos granos que en él se hallan. Se encontró también una piedra que parece cabeza de perro o carnero. El Sr. Calvo la cree perro, pero en una fotografía que de ella hizo y me regaló el Sr. Jiménez, de La Guardia, parece indudable carnero. A tales discrepancias da lugar lo basto de la obra.
Y aquí tienen en breve síntesis mis lectores, algo las antigüedades que en las excavaciones de Santa Tecla se encontró, las cuales se puede decir que apenas han empezado, y han servido, entre otras cosas, para llamar la atención sobre edificaciones análogas de nuestra tierra, como las que visitó este verano nuestro amigo el Sr. Castillo, cerca de Mondariz, y las que nos señaló al pie de Puenteareas el Sr. Pimentel, párroco de La Guardia, y otras más en diversas partes notadas.
_____________
(1) Sr. Calvo la llama ventana y su pequeñez la hace tal, pero el estar a nivel del suelo me mueve a decirla puerta: la cosa es la misma
(2) Véanse los artículos que sobre las casas del Cebrero publicó el Sr. Castrillo en este Boletín
(3) Cuando no están en parte derruidas esas paredes.
(4) Es de notar que también hoy abundan en aquellos contornos los buenos oficiales de este oficio, Y lo mismo acontecía en Padrón, con los tejedores que duran hasta nuestros días, y el llorado D, Antonio López Ferreiro y mi amigo D. Eladio Oviedo, hallaron allí restos de telares antiguos.
(5) Véase la tabla XIII número 6
(6) Noten los lectores que todos estos datos, la piedra de triturar granos, los molino, los trozos de ánforas, los barros y la moneda, son manifiestos indicios de la antigüedad de esta opoblación.
(7) Algunas tienen un bucraneo, los bueyes suelen ser de las colonias.
(8) Para resolver la duda, escribimos a nuestro buen amigo el sacerdote de la Guardia, D. José Pedreira, para que la examinase de nuevo detenidamente y nos escibe que es efectivamente una E y así se ve también en varios calcos que nos remitió. Se conoce que fue hecha en troquel distinto de la que poseyó el P. Fórez.
CELESTINO GARCIA ROMERO, S. J.






La insigne y antiquísima Abóbriga
Por Heliodoro Gallego
 
 
Existió en la más remota antigüedad una ciudad citada por Pompeyo Mela y descrita por el geógrafo romano Plinio el Mayor, que la llama "Insigne oppidum Abóbriga", que dice estaba situada en los "galaicos bracarenses", próxima al “Minius”. Los habitantes de tal ciudad, los aborígenes, aparecen citados en la lápida del puente de Chaves, con los de otras poblaciones que concurrieron a su construcción.
 
La situación y recuerdo de tan antigua población parecían perdidos por completo, hasta que algunos autores del siglo pasado volvieron a ocuparse de ella, situándola en Rivadavia. Pero más recientemente fueron descubiertos al pie del "Facho" que corona el bravo y costero Monte Santa Tecla, en la desembocadura del Miño, ruinas y restos, verdaderamente importantes, de una población ibérica que parecen señalar como más indicado este lugar para asiento de aquella insigne población.
 
Consisten tales descubrimientos en grandes escombreras y entre ellas numerosos restos de casas, cuya parte superior o cubierta acaso fuera de paja, como hace suponer una semejanza con las que aún hoy dan albergue a los habitantes concéntricos, ofreciendo el conjunto de carácter ibérico.
 
Otras presentan base triangular o estrellada, pareciendo de una época posterior, quizás los principios de la romana. Preséntanse formando calles, constituyendo barrios y con ellas aparecen restos de obras de defensa integradas por fuertes muros y firmes baluartes, ofreciendo las variadas características de la arquitectura de muchos siglos.
 
Al ser desencombrados los interiores de tales casas, fueron hallados en ellas varios objetos de indudable mérito arqueológico, fragmentos de cerámica arcaica, ánforas de corte elegantísimo, ladrillos primorosamente dibujados, fíbulas (hebillas) de gran delicadeza, varios objetos metálicos, entre ellos una estatua representando a Hércules; dos variedades de cruz swástica, misteriosos signos, hachas de sílice y bronce, piedras molares y otra porción de cosas que atestiguan la antigüedad de cuanto allí se encuentra.
 
Los habitantes de la inmediata y pintoresca villa de La Guardia, dándose perfecta cuenta de la importancia que todo esto representa, constituyeron con gran entusiasmo a la Sociedad Pro Monte Santa Tecla que realiza una gran labor cultural, prosiguiendo las excavaciones, reuniendo todo lo encontrado en un valioso museo, convirtiendo el monte en hermoso parque y construyendo una carretera que, enroscándose a la montaña, asciende zigzagueando hasta el “Facho” y la blanca ermita que corona su cumbre. Desde este lugar se disfruta una de las vistas más bellas de Galicia, abarcando el último trozo del Miño, que corre caudaloso entre hermosos paisajes, la parte Sur de las costas gallegas y gran parte de las portuguesas, desde Camiña a Ancora y Montedor.
 
Todas estas circunstancias convierten al Monte de Santa Tecla en lugar de visita para cuantas personas cultas van a conocer nuestra región, haciendo de él obligada estación de turismo.
 
Heliodoro Gallego
Boletín Oficial de la Sociedad Fomento de Porriño y su distrito.
Año IX, nº 39 de julio de 1930
 

 

  
La moneda de Abóbriga (?)
por Juan Domínguez Fontela
 
           Entre los múltiples objetos descubiertos hasta ahora merced a las excavaciones que se han iniciado sobre la cumbre del Sta., Tecla, merecen especial mención las monedas allí encontradas.
           Por ellas se confirma la antigüedad de aquella población que no dudamos en seguir señalando con el nombre de ABÓBRIGA, y cuya vida no pasó, según resulta del elocuente testimonio de las mismas monedas, y de otros objetos, más acá del siglo tercero del Cristianismo.
           En Sta. Tecla ya antes de ahora se han encontrado monedas, las cuales, recogidas por personas curiosas, fueron imprudentemente llevadas a formar parte de monetarios, extraños a nuestra región, perdiendo así el carácter sumamente interesante que tendrían si aquí se hubiesen conservado. Fuera de La Guardia, apenas tienen un ligerísimo valor histórico, vago y general: conservadas aquí, cada una de ellas constituye un argumento de valor arqueológico para nuestra querida región.
           Por eso me permito rogar, en nombre de nuestra villa y en especial, haciéndome eco de la dignísima “Sociedad Pro-Monte Santa Tecla” a cuantos conserven algunas de estas monedas, que se dignen donarlas al Museo de la Sociedad o bien comunicarnos donde se hallen para hacer un estudio de las mismas.
           Las principales monedas que hasta ahora se han descubierto entre las ruinas de la derruida población, son 19, de las cuales ocho pertenecen a la España autónoma, pues están acuñadas en diversas ciudades de la misma y otras once son romanas, aunque importadas aquí.

___________________

SERIE ESPAÑOLA AUTÓNOMA

Nº 1
Batida en Calahorra

          As de cobre en mediano estado de conservación. Cubierto de carbonato de cobre.
Anverso.- IMP. (ERATOR) AVGVST (VS) PATER PATRIAE.
Cabeza de Augusto con laurea, a la izquierda.
Reverso.- Un buey y sobre él la leyenda M(ARCO). LIC(INIO) CAPE(LLA). Debajo, C.(AIO) FVL(VIO) RVT(ILIO).
Delante del buey II. VIR. Detrás M(UNICIPIUM) C(ALAGURRIS) I(ULIA).

Nº 2
Acuñada en Calahorra
          As de cobre en mediano estado. Carbonatado por la humedad.
Anv.- TI(BERIVS) AVGVS(TVS) DIVI AVGVSTI  F(ILIUS) IMP(ERATOR CAESAR). Busto laureado del Emperador.
Rev.- Sobre el toro L.(VCIO) FUL(VIO) SPARSO.
Debajo L(VCIO) SATVRNINO.
Delante II. VIR.
Detrás M. (UNICIPIUM) C(ALAGVRRI) I(VLIA).
Nº 3
Batida en Cascante
          As de bronce de Cascante.
Ejemplar torcido y roto, quemado por fuego lento: cubierto de carbonato.
Anv.- Cabeza de Tiberio Cesar hacia la izquierda.
Leyenda.- CAESAR DIVI AVG(USTI) F(ILIUS) AVGVSGTVS
Rev.- Un buey hacia la izquierda.
Leyenda MVNICIP(IUM) CASCANTVM.
Nº 4
Acuñado en CLVNIA
          Hermoso ejemplar de un As de bronce de CLVNIA (Coruña del Conde-Provincia de Burgos).
Anv.- Cabeza laureada de Tiberio Cesar hacia la izquierda
Leyenda TI(BERIUS) CAESAR AUG(USTI) F(ILIUS) AVGVSTVS IMP.(ERATOR)
Rev.- Buey hacia la derecha y encima de su lomo CLUNIA
La leyenda del perímetro es CN-(AEO) POMP(EIO) m(ARCO) ANTO(NIO) T(ITO) ANTO(NIO) M(ARCO) IVL(IO) SERAN(O) IIII VIR(IS).
Nº 5

          As de cobre o bronce, batido en el lugar SAETABI, hoy Játiva (San Felipe de). Ejemplar en mediano estado de conservación.
Anv.- Cabeza varonil desnuda con el pelo rizado. Delante, restos de caracteres ibéricos desconocidos. Detrás la figura de una lanza.
Rev.- Un jinete con lanza en ristre, morrión. No quedan restos de las letras ibéricas.

Nº 6
Batida en Tarazona

          As de bronce, cubierto de carbonato de cobre en buen estado:  algo rascado el anverso.
Anv.- Cabeza laureada de Augusto hacia la izquierda. Leyenda en el perímetro del campo TI(BERIUS) CAESAR AVGVSTI F(ILIUS) AVGVSTVS. IMP(ERATOR)
Rev.- Corona de encina láurea y dentro de esta II- VIR(IS).
En el perímetro MVN(ICIPIUM) TVRIASO MV(ANIO) SVLP(ICIO) LVCAN(O) M-(ARCO) SEMP(RONIO) FRONT.(ONO)
Nº 7
Batido en Tarazona

          As de bronce, calcinado por el fuego y recubierto de pátina de carbonato. Roto el pie de la moneda.
Anv.- Busto laureado de Augusto hacia la izquierda.
Leyenda TIBERIVS CAESAR AVG F IMP(ERATOR) PONT(IFEX) M(AXIMUS)
Rev.- Toro hacia la derecha.
Debajo, la leyenda M.(ARCO) CEL(IO) PA·(LUDATO): delante II VIR. Encima MV(NICIPIUM) TYR(IASO).
Nº 8

          Moneda de cobre completamente quemada e ilegible. Parece ser de Zaragoza. CAESAR AVGVSTA por ciertos rasgos que difícilmente se perciben.
 
___________________

SERIE ROMANA

Nº 9
          Denario de de la familia PLAVTIA.
Anverso.- Busto con casquete a la izquierda. Detrás de la letra X que indica el valor de la moneda (Denario).
Reverso.- Cuadriga, y bajo los pies de los caballos la leyenda PLAVTIUS enlazada y en la línea inferior la palabra ROMA.
Se acuñó hacia el año 700 de la fundación de esta ciudad.
Nº 10

          Denario de la familia SEMPRONIA.
Anv.- Cabeza de corte griego con casquete alado. Leyenda PITIO y X.
Rev.- Dos jinetes armados de lanza y debajo la leyenda SEMPR(ONIVS). Acuñose entre 550 y 600 de la fundación de Roma.
Nº 11
          Denario de la Gens consularis ABVRIA.
Esta moneda familiar tienen en su anverso una cabeza a la izquierda con casquete alado y la leyenda GEM(INUS)
En el reverso ostenta una cuadriga y debajo la leyenda C. ABVR(IVS).ROMA.
Fue batida esta moneda entre 620 y 640.

Nº 12

          Denario de CAYO CESAR, hijo de Agripa y Julia.
Anv.- CAESAR-AVGVSTVS-DIVI-F(ILIVS) P(ATER) PATRIAE. Cabeza de Caio Cesar coronado con corona de laurel.
Rev.- Imágenes de Cayo y Lucio, Césares hijos de Augustos, designados cónsules, Príncipes de la juventud. Ambos togados, con sendas lanzas, escudos, cayado augural y el vaso de las libaciones.
Leyenda: debajo de las figuras C(AIVS) L(VCIVS) CAESARES. Continúa alrededor: AVGVSTI -F(ILII) CONSVLES –DESIG(NATI) PRIN(CIPES) IV-VENT (VTIS)

Nº 13

         SEMIS DE CLAVDIO. (A41 a 54)
Fue descubierto en 1900 en una de las murallas de Sta. Tecla entre restos de tejas y otros fragmentos de cerámica este ejemplar. Es un semis, aunque por su peso parece un cuadrante. Pertenece al Emperador CLUDIO
Anv.- Efigie del Emperador con corona radiada a la izquierda con la leyenda DIVO CLAVDIO.
Rev.- Un altar con el fuego sagrado propio del acto de una consagración. Lo confirma la sobreinscripción—CONSECRATIO.
En vez de una moneda ¿será tal vez una medalla conmemorativa?
 
Nº 14
   
        Denario de Domiciano
Emperador desde 81 a 96.
Anv.- Busto del Emperador laurado hacia la izquierda. Leyenda CAESAR AVG(VSTVS) DOMITIANVS.
Rev.- Jinete empuñando lanza. Gráfila de puntos. En el exergo  CO(N)S(VL).
Nº 15
   
        Semis de Galieno emperador en los años 260 a 268
Anv.- Ostenta la efigie de este Emperador con la leyenda GALLIENVS
Rev.- Una estatua con la leyenda PROVITAS.
    
Nº 16
    
        Semis de Galieno.
Anv.- Busto del Emperador con corona radiada como en el anterior y la leyenda GALLIENVS.
Rev.- FORTVNA y en su campo la estatua de esta diosa.
Nº 17
 
          En 1867 hizo un viaje de estudio a La Guardia el arqueólogo español D. Luis Vermell, natural de Cataluña, publicando después en el periódico de Vigo “La Oliva” un interesante estudio sobre sus investigaciones en Sta. Tecla y en La Guardia. Hablando de las monedas descubiertas en el monte se expresa de esta manera: “Ocupándose por allí en romper piedra de los peñascos, han hallado monedas de cobre con águilas acuñadas, desprendiéndose de ellas como miserables ochavos”.
          De estas monedas se han salvado dos ejemplares: uno existe actualmente en el Museo arqueológico de Pontevedra y otro es el que en la colección del Museo de la Sociedad Pro Monte señalamos con el nº 17.
          Anv.- Tiene grabada la efigie coronada de TRAJANO DECIO (CAYO MESIO QVINTO) emperador de Roma de 249 a 251. CNEVS DECIVS TRAIANVS OPTIMVS.
          El reverso tiene un águila con una víbora en el pico. Al lado la letra A que indica el valor de un AS.
    
Nº 18
 
          As completamente estropeado: Es dificilísima su clasificación.
   
Nº 19
  
          En 1895, arrancando piedra en el monte, se descubrió una moneda de plata de valor de un denario. He aquí su descripción.
Anv.- Cabeza de Mercurio con casco alado y en la semiperiferia inferior la leyenda ROMA-X-LABEO.
Rev.- En el centro del campo la Cuádriga de triunfo de los romanos, De los pies de los caballos la letra L. En el exergo la leyenda Q. FABI(VS).
          Pertenecía  esta moneda a la familia Fabia de Roma y probablemente al magistrado monetario Quinto Fabio Labeo y fue labrada en el año 144 a. de Cristo (610 de Roma).
          A esta familia Fabia pertenecen Quinto Fabio Máximo Emiliano, Cónsul en 606 y otro Quinto Fabio Máximo, el Servilinao, que desempeñaron papel importantísimo en las luchas contra Viriato en nuestro galaico suelo.
          Depositada esta moneda en el pobrísimo monetario del Colegio de PP. Jesuitas, como allí a nadie interesaba su conservación, desapareció.
          ¡Qué bien estaría ahora en nuestro museo!
    
Juan Domínguez Fontela
Números 321 y 322 de LA VOZ DEL TECLA.
La Guardia. Junio de 1917.
Regreso al contenido